Meu escritório é o parque

Quem nunca sonhou em sair das quatro paredes do escritório para trabalhar ao ar livre? Mas, ok, nada de laptop no colo ou algo improvisado do tipo. É preciso um pouco de estrutura para isso. E foi no que pensou o escritório holandês Well Design. Trata-se da estação de trabalho WorkaWay – uma espécie de caixa de madeira com recortes no interior que formam banco e mesa. Tem ainda conexão wi-fi para que você possa usar seu próprio computador, alimentadas por placas solares. A reserva é feita por um aplicativo no smartphone. O trabalho certamente renderia mais. Ou não?

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Falta só um futon para a ideia ficar perfeita (Via yankodesign.com)

Se essa cadeira fosse minha

Eis o objeto de desejo de todo designer: a cadeira. É simples, é fácil, mas vá fazer uma pra você ver que não é. Isso porque há de se reinventar a roda. Já se criou de um tudo. Com braço, sem braço, com muitas pernas, sem nenhuma delas, de madeira, de metal, de papelão e de plástico. Sem contar que há questões industriais – quanto menos material melhor, mais barato; se tem facilidade de transporte; se é empilhável, etc, etc.

Há também a questão do conforto. Uma de madeira, crua de tudo, pode acomodar muito melhor que uma com tecido felpudo – por questões que passam pela ergonomia, por exemplo. E tem também a estética. Não tem jeito. O mobiliário passa pelo visual. Não vá me dizer que basta apenas ser funcional. Uma bela cadeira enche os olhos.

Vamos lá, com base nisso tudo, aí vão  minhas cadeiras preferidas. Aquelas que, sim, eu gostaria de ter criado.

Cadeira Panton

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Criada pelo designer Verner Panton em 1967, a cadeira que recebeu seu nome reúne muitas vantagens: apelo industrial, de conforto e estético. Numa peça só, a Panton usa o mesmo material, numa forma única e ainda desafia a gravidade. Fora que o movimento do designer é fascinante. (Foto: wikipedia)

Louis Ghost

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Difícil escolher uma peça apenas do francês Philippe Starck, mas a sacada dessa cadeira é genial. Feita em policarbonato, que pode ser transparente ou colorido, ela revisita a poltrona Luís XV mas com um design simplificado, e não menos fantástico. O efeito transparente, que dá uma impressão da cadeira flutuar, não é apenas um capricho visual, é também de uma funcionalidade estética enorme, pois em ambientes pequenos ela não pesa. (Foto: wikipedia)

Poltrona Egg

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Arne Jacobsen, arquiteto e projetista dinamarquês, sabia das coisas. Sua poltrona é de aparência pesada, não deve ser muito fácil de ser deslocada. Mas em um quesito ela arrebenta. O de “se jogar”. A poltrona é mais que um convite, é um ímã. A base talvez esteja na inspiração do desenho, o ovo, lugar de nascimento, de conforto emocional. Sabia ou não das coisas mister Arne? (Foto: wikipedia)

Wassily Chair ou modelo B3

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Uma armação tubular em aço leve,  inspirada nos de guidão de bicicleta, tiras de couro e, voilá, eis uma cadeira pra lá de esperta. E olha que ela é da década de 20, construída na oficina da Bauhaus por Marcel Breuer. O nome é em homenagem a Wassily Kandinsky, o pintor russo de traços inconfundíveis. (Foto: http://www.dezeen.com)

Eames Plastic Armchair RAR

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O casal de designers norte-americano Charles e Ray Eames foi pioneiros na utilização de materiais como resina plástica. A  Eames Plastic Armchair é uma das mais clássicas cadeiras em se tratando de design, com suas pernas aramadas que lembram a Torre Eifel. Mas a sua versão com pernas de balanço é, para mim, a melhor das ideias. (Foto: http://www.hermanmiller.com)

Poltrona Chifruda

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Não é à toa que Sérgio Rodrigues alcançou tanta projeção. Além de um querido senhor, ele é um gênio. A Poltrona Mole é um ícone mas eu fico com a Chifruda. A peça é arrebatadora, tem uma dramaticidade única, parece que tem vida e tudo isso a faz um peça de desejo e tanto. Como não amar? (Foto: http://www.sergiorodrigues.com.br)

Ok, ainda faltam muitas ainda. Afinal, enquanto existirem novos designers no mundo, existirão novas cadeiras. E a sua preferida, qual é?

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(Foto: http://www.homeworkshop.com)

Design é bom e eu gosto

Certa vez, em uma aula de Design de Produto, um professor, daqueles bem mestres, chamou todo mundo para a real:  “A gente vive sem Design. Sem Medicina, não. Mas, sem Design, a gente vive”, disse taxativo. Fiquei matutando um tanto pasma com a constatação e, de supetão, respondi. “É verdade, mas será que basta sobreviver? A gente vive sem Design, mas vive melhor com ele”. Foi um insight. Espontâneo e sincero, como todos são. “A gente vive melhor com Design, mesmo”, a frase ainda ecoa dentro de mim. E não digo aquele assinado que custa os olhos da cara. Mas o que está por trás dos clipes de papel e do fecho éclair. Aquele que encanta e inspira. Aquele que a gente suspira aliviado por saber que há muito mais possibilidades…

São elas que me fizeram chegar até aqui. Sou uma designer um tanto frustrada porque a jornalista não lhe deu muito espaço. Mas, que boba, eu poderia ter juntado ambas, como agora faço.  Então, eis o meu canto para admirar as formas, aprender com quem faz e dar meus pitacos. Afinal, o desenho está, aqui em mim, em L, mas pode estar em M, N, O… E aonde mais a gente conseguir enxergá-lo.

Seja bem-vindo, a casa é nossa.

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Doodle de 2012 em comemoração ao aniversário do sueco Gideon Sundback, inventor do fecho éclair, celebrado no dia 24 de abril – coincidentemente a data de início desse blog

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